Skip to main content

Search

Ouçam nossas vozes

Ouçam Nossas Vozes



Mesmo durante a pandemia, é preciso cuidar da saúde mental 

A pandemia do novo coronavírus tem mexido com a saúde mental da população. Por conta do distanciamento social, imposto pela pandemia da Covid-19, planos tiveram de ser adiados e os dias nunca mais foram os mesmos. A nova rotina e tantas incertezas sobre o futuro têm impactado a saúde mental das pessoas e pode contribuir para distúrbios psicológicos.

Agora, seis meses após a confirmação do primeiro caso da COVID-19 no Brasil, aos poucos, a sociedade vai retomando, de forma cautelosa, suas atividades fundamentais, como ir ao médico e trabalhar de forma presencial. 
 
Apesar desses avanços, ainda não sabemos quando a pandemia terá fim. Portanto, a vida nesse “novo normal” exige atenção e cuidados com a  sua saúde mental.  Fique atento aos sinais que o seu corpo apresenta e busque ajuda, com segurança.  Quanto mais cedo um primeiro diagnóstico for realizado, maiores são as chances de encontrar o tratamento adequado e ter uma  vida com mais qualidade.

A esquizofrenia, por exemplo, é uma doença que afeta o funcionamento do cérebro e muitas vezes, tem seus sinais e sintomas ignorados pelo paciente e seus familiares que, por desconhecimento ou receio de sofrer preconceito, devido aos estigmas sociais, adiam a busca por ajuda especializada e, consequentemente, uma consulta médica para receber um possível diagnóstico. 

Precisa ir ao consultório médico? Conheça as principais dicas de proteção contra a COVID-19

  1. Use máscara! Atualmente existem opções acessíveis para serem utilizadas quando for absolutamente necessário sair de casa, como a ida ao consultório médico para acompanhar ou realizar um tratamento. 

  2. Não toque o rosto e nem a parte da frente da máscara.

  3. Higienize sempre as mãos com água e sabão. Caso essa opção não esteja disponível, utilize álcool em gel 70% cada vez que encostar em algo.

  4. Mantenha distância de pelo menos 2 metros das pessoas.

  5. Ao chegar do consultório lave bem as mãos, retire as roupas utilizadas, separe-as dentro de uma sacola e coloque-as para lavar. Logo em seguida, tome um banho. E lembre-se de não tocar em nada dentro de casa antes de higienizar bem as mãos. 

Tenha sempre em mãos

 e saiba mais sobre o que é a esquizofrenia, seus sintomas e diagnósticos! 

Ouçam nossas vozes

Ouvir vozes. Um dos sintomas mais comuns da esquizofrenia, uma doença cujos pacientes são tão pouco ouvidos! Carregada de estigmas, a doença é muitas vezes banalizada em nosso cotidiano e até mesmo em nossa linguagem: quem nunca se referiu a uma situação incoerente como “esquizofrênica”?

O preconceito e os estigmas existem justamente pela falta de conhecimento e impacta pacientes e suas famílias todos os dias. Chegou a hora de falarmos abertamente sobre o assunto e mostrar que é possível tratar e controlar a doença, para que a única voz a ser ouvida seja a do próprio paciente.

A campanha #OuçamNossasVozes nasce da necessidade de conscientizar a população sobre essa doença mental séria que, se não tratada adequadamente, pode trazer graves consequencias para aqueles que convivem com ela. Comumente associada à loucura, o impacto social da esquizofrenia chega a ser mais perturbador do que conviver com a própria enfermidade. É preciso romper essa barreira e mostrar que a esquizofrenia é uma doença crônica como muitas outras: se diagnosticada e tratada corretamente, não impede que o paciente tenha uma vida ativa e independente. 

Atualmente, existem diversas opções inovadoras de medicamentos que facilitam a adesão ao tratamento. Ainda assim, informação é o principal remédio para combatermos o estigma e transformar a realidade dessas pessoas e de suas famílias. Esse é o nosso compromisso. Junte-se à nós nesse movimento.

Não chame esquizofrenia de loucura

Diferente do que se imagina, a Esquizofrenia é uma experiência que pode ser compreendida.

Ela possui alguns aspectos: uma doença que afeta o funcionamento do cérebro, relacionadas a fatores como problemas na gestação e/ou no parto, problemas genéticos, problemas no amadurecimento do cérebro, fatores estressores além do que se pode suportar. Quando esse conjunto de fatores atua em uma determinada condição e período da vida, a pessoa pode desenvolver a doença.

Um dos efeitos que promove a alteração de comportamento no paciente é o aumento da função da dopamina, uma das substancias químicas que nosso cérebro produz responsável pela transmissão de informação. E, mesmo que muita gente não saiba, este transtorno afeta milhões de brasileiros. 

Entendendo os sinais

Os sintomas da esquizofrenia geralmente começam entre 15 e 35 anos de idade. Em casos raros, crianças também podem apresentar as características da doença. Os sintomas se dividem em três tipos: positivos, negativos e cognitivos.

Sintomas positivos

O individuo apresenta comportamentos psicóticos geralmente não observados em pessoas saudáveis. Esses sintomas se traduzem em uma perda de contato com alguns aspectos da realidade, podendo ter as seguintes manifestações:

- Delírios;

- Alucinações;

- Pensamentos desordenados (modos de pensar incomuns ou disfuncionais);

- Distúrbios do movimento (movimentos corporais agitados).

Sintomas negativos

Estão associados a interrupções nas emoções e em comportamentos normais como:

- Redução de expressões emocionais, do afeto;

- Redução do sentimento de prazer em atividades cotidianas;

- Dificuldade em iniciar ou manter atividades;

- Redução da fala.

Sintomas cognitivos

Podem se manifestar de maneira mais sutil ou mais acentuada, afetando a memória e outros aspectos do pensamento. Principais sintomas:

- Falta de foco: dificuldade na concentração de atividades cotidianas;

- Baixo funcionamento intelectual.

Cada ser humano reage de uma forma, portanto os sinais podem ser diferentes para todos. Alguns sintomas se desenvolvem lentamente ou aparecem de forma repentina. A esquizofrenia pode ter ciclos de recaída e remissão. Alguns sinais precoces incluem:

  • Ver algo que não está lá;
  • Sensação de estar sendo observado;
  • Escrita ou fala anormais;
  • Apatia frente a situações e acontecimentos importantes;
  • Queda no desempenho escolar e/ou profissional;
  • Alteração de personalidade;
  • Isolamento social;
  • Respostas exageradamente zangadas ou irracionais às pessoas próximas.

Tratamentos

Existem diversos fatores para o desenvolvimento de esquizofrenia: biológicos, psicológicos e sociais. Por isso, o tratamento também precisa englobar múltiplas variáveis, passando pelo cuidado oferecido por médicos psiquiatras e equipe de saúde multidisciplinar - incluindo o tratamentos medicamentosos, psicoterapia e acompanhamento psicológico, e também atenção de familiares e pessoas próximas.

Evitar recaídas, ou seja, novos surtos psicóticos, é o foco do tratamento, não apenas pelo impacto desses episódios na qualidade de vida do paciente e sua família, mas também pelas perdas biológicas cerebrais que eles podem causar.

Medicamentos são frequentemente usados para controlar os sintomas da doença por reduzir o desequilíbrio bioquímico característico da doença, prevenindo recaídas. Para isso, a adesão correta ao tratamento proposto é fundamental.

A falta de adesão ao tratamento é o maior desafio para a recuperação. Quando tratados correta e continuamente, as recaídas minimizam permitindo que o paciente viva de forma mais autônoma e saudável.

Barreiras

A maior barreira é a aceitação da doença, o que impacta na adesão ao tratamento, que também é comprometida pela dificuldade do paciente de associar a terapia à melhora dos sintomas.

A falta de adesão ao tratamento é o maior desafio para a recuperação. Quando tratados correta e continuamente, as recaídas minimizam permitindo que o paciente viva de forma mais autônoma e saudável, porém etima-se que entre 40% a 71% dos pacientes com esquizofrenia não sigam corretamente o tratamento.

A interrupção do tratamento, além de comprometer a eficácia da terapia, contribui para a evolução do transtorno que, a cada crise, pode provocar danos cerebrais que não são reversíveis. Além disso, a cada episódio, a recuperação pode ser mais lenta e o transtorno pode se tornar mais resistente ao tratamento, com impactos severos na autonomia do paciente.

A demora do encaminhamento ao profissional especialista é outro fator que compromete o tratamento da esquizofrenia.

Estigma: é preciso mudar

Estereótipos estão enraizados em nossas vidas e as complicações mentais acabam muitas vezes distorcidas. É comum escutarmos em nosso dia a dia piadas pejorativas e de mau gosto. Mas tornar a esquizofrenia sinônimo de desordem, imprevisibilidade e falta de bom senso, é banalizar uma séria condição de saúde e alimentar estigmas. Ofende pacientes e seus familiares. 

O desconhecimento geral da sociedade sobre a esquizofrenia e a realidade das pessoas que convivem com a condição contribui para a perpetuação do preconceito e consequente isolamento dos pacientes. Desconstruindo estigmas é possível oferecer as oportunidades necessárias para melhora e recuperação de milhares de pacientes e famílias que convivem com a esquizofrenia.